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| 03/05/2008 |
Desculpem a minha total displicência com este espaço. Acho que os meus dois leitores - que invariavelmente andam por estas bandas - estão "chorosos". Mas é que estou atolado numa pós-graduação e na minha segunda faculdade. Leituras e leituras permeiam o meu dia-a-dia. Mas qualquer dia desses coloco algo novo.
Abraço a todos...
Escrito por Aquinei Timóteo às 19:55:52
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| 15/02/2008 |
Pertencer
Clarice Lispector
Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou.
Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça. Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.
Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso.
Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de "solidão de não pertencer" começou a me invadir como heras num muro. Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.
Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força - eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa. Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e no entanto premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida.
No entanto fui preparada para ser dada à luz de um modo tão bonito. Minha mãe já estava doente, e, por uma superstição bastante espalhada, acreditava-se que ter um filho curava uma mulher de uma doença. Então fui deliberadamente criada: com amor e esperança. Só que não curei minha mãe. E sinto até hoje essa carga de culpa: fizeram-me para uma missão determinada e eu falhei. Como se contassem comigo nas trincheiras de uma guerra e eu tivesse desertado. Sei que meus pais me perdoaram por eu ter nascido em vão e tê-los traído na grande esperança. Mas eu, eu não me perdôo. Quereria que simplesmente se tivesse feito um milagre: eu nascer e curar minha mãe. Então, sim: eu teria pertencido a meu pai e a minha mãe. Eu nem podia confiar a alguém essa espécie de solidão de não pertencer porque, como desertor, eu tinha o segredo da fuga que por vergonha não podia ser conhecido.
A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho!
Escrito por Aquinei Timóteo às 19:45:20
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| 12/02/2008 |
Saudade
Pablo Neruda
Saudade é solidão acompanhada, é quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou, é recusar um presente que nos machuca, é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam, é a dor dos que ficaram para trás, é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade: aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos: não ter por quem sentir saudades, passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.
Escrito por Aquinei Timóteo às 20:08:44
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Poema 20
Pablo Neruda, 1924
Puedo escribir los versos más tristes esta noche. Escribir, por ejemplo: “La noche está estrellada, y tiritan, azules, los astros, a lo lejos”. El viento de la noche gira en el cielo y canta.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche. Yo la quise, y a veces ella también me quiso. En las noches como ésta la tuve entre mis brazos. La besé tantas veces bajo el cielo infinito. Ella me quiso, a veces yo también la quería. Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche. Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido. Oír la noche inmensa, más inmensa sin ella. Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.
Qué importa que mi amor no pudiera guardarla. La noche está estrellada y ella no está conmigo. Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos. Mi alma no se contenta con haberla perdido.
Como para acercarla mi mirada la busca. Mi corazón la busca, y ella no está conmigo. La misma noche que hace blanquear los mismos árboles. Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.
Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise. Mi voz buscaba el viento para tocar su oído. De otro. Será de otro. Como antes de mis besos. Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.
Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero. Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.
Porque en noches como ésta la tuve entre mis brazos, Mi alma no se contenta con haberla perdido. Aunque éste sea el último dolor que ella me causa, y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.
Escrito por Aquinei Timóteo às 19:23:36
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| 11/02/2008 |
Línguas em português: o português macarrônico em Adoniran Barbosa e Antônio de Alcântara Machado
O aspecto social da língua é fato já bastante afirmado e reafirmado no interior dos estudos lingüísticos. Devido ao seu caráter estratificado ela consegue abarcar um grupo variado de falantes e de usuários da língua, reunidos por intermédio de trocas intersubjetivas, sígnicas e materiais que permitem a construção dos espaços políticos de comunicação e de identidade. Eric Landowski, em seu livro “Presenças do outro”, aponta que a definição da identidade passa também pela aceitação de uma alteridade:
Com efeito, o que dá forma a minha própria identidade não é só a maneira pela qual, reflexivamente, eu me defino (ou tento me definir) em relação a imagem que outro me envia de mim mesmo; é também a maneira pela qual, transitivamente, objetivo a alteridade do outro atribuindo um conteúdo específico à diferença que me separa dele. Assim, quer a encaremos no plano da vivência individual ou da consciência coletiva, a emergência do sentimento de “identidade” parece passar necessariamente pela intermediação de uma “alteridade” a ser construída. (LANDOWSKI, 2002, p. 4)
A língua é um signo social e, nesse sentido, consegue aglutinar múltiplas variações lingüísticas utilizadas por diversos grupos distintos. Como a língua portuguesa apresenta uma grande heterogeneidade, conforme bem destacou Marcos Bagno, em “O preconceito lingüístico”, podemos observar que no Brasil, as diferenças regionais no uso da língua são bem caracterizadas e claramente definidas. Isso pode ser percebido pelo “chiado” no falar do carioca e do amazonense, pelo sotaque típico dos nordestinos ou mesmo pela influência de imigrantes – fato constatado na cidade de São Paulo – onde é grande a presença de italianos e seus descendentes. Também na fala dos gaúchos, que mantêm estreitos contatos culturais com seus vizinhos argentinos e uruguaios é patente a recorrência aos castelhanismos. Percebe-se com isso que a variabilidade lingüística em nosso país, passa também por um processo de maturação identitária. O nordestino se identifica com os signos utilizados em sua fala, assim como o carioca, o paulista, o maranhense e o gaúcho se identificam com os seus signos – contudo, o que os define não é a semelhança, mas as diferenças.
O que acontece é que em toda língua do mundo existe um fenômeno chamado variação, isto é, nenhuma língua é falada do mesmo jeito em todos os lugares, assim como nem todas as pessoas falam a própria língua de modo idêntico. (BAGNO, 2004, p. 52)
A língua portuguesa em sua variante paulistana, por exemplo, apresenta grandes semelhanças com a prosódia da língua italiana e isso se deve a fatores históricos. No período entre 1880 e 1930 o Brasil e a Europa passavam por grandes transformações. Lá, o alto crescimento da população e o acelerado processo de industrialização afetaram diretamente as oportunidades de emprego no continente, o que resultou numa intensa fuga demográfica da Europa. Aqui, o país estava passando por um período de fermentação das idéias abolicionistas. A Lei Eusébio de Queirós (1850) marcou o início do processo de abolição, proibindo o tráfico negreiro. A partir deste momento, começa a faltar mão-de-obra nas zonas cafeeiras. Ao mesmo tempo, surge no oeste paulista um grupo de fazendeiros de origem burguesa que defende o uso da mão-de-obra livre nas plantações de café. Nesse primeiro momento os italianos vão atuar nas grandes fazendas de café. Os imigrantes se concentraram principalmente na região sudeste. São Paulo recebeu 70% dos imigrantes italianos e em 1930 eles já correspondiam a 55% da população do estado. A forte presença italiana forjou uma arraigada identidade que se reflete na literatura e na música paulistanas. Nas canções de Adoniran Barbosa podemos observar a presença de uma variante do chamado português “macarrônico”, ou seja, o sambista justapõe traços da língua italiana e portuguesa no mesmo caldeirão e junta tudo isso numa linguagem margeada pela oralidade, pelos vícios e pelos “erros” comuns a camada popular. Essa mistura pode ser percebida na música “Um samba no Bexiga”, de 1956: Um domingo nóis fumo Num samba no Bexiga Na rua Major, Na casa do Nicola A mezza notte o'clock, Saiu uma baita de uma briga. Era só pizza que avoava Junto com as brajola. Nóis era estranho no lugar E não quisemo se meter. Não fumo lá pra brigá, Nós fumo lá pra comê. Na hora H se enfiemo Debaixo da mesa, Fiquemo alí de beleza, Vendo o Nicola brigá. Dali a pouco Escuitemo a patrulha chegá E o sargento Oliveira falá: "Não tem importânça, Vou chamar duas ambulânça. Carma pessoá, A situação aqui tá muito cínica. Os mais pior Vai pras Crínica. Nota-se no texto acima alguns indícios do que seria o retrato caricato da fala de uma faixa da população paulistana: os descendentes de imigrantes italianos moradores de alguns bairros, como o Bexiga e o Brás. Isso pode ser percebido nos “erros” de português, pela oralidade com que a música foi construída e pelo tom “macarrônico” do texto. As “Novelas paulistanas”, do escritor Alcântara Machado, representam também um grande documento acerca da língua portuguesa em sua referência italiana, uma vez que o autor foi bastante fiel à oralidade – revelando sua preocupação em descrever os habitantes e os costumes das pessoas que moravam nos bairros periféricos da capital paulista, o que fez surgir um novo tipo de personagem na literatura brasileira: o ítalo-brasileiro. Das “Novelas paulistanas”, vamos analisar um trecho do conto “A sociedade”. O capital levantou-se. Deu dois passos. Parou. Meio embaraçado. Apontou para um quadro. - Bonita pintura. Pensou que fosse obra de italiano. Mas era de francês. - Francese? Não é feio non. Serve. Embatucou. Tinha qualquer cousa. Tirou o charuto da boca, ficou olhando para a ponta acesa. Deu um balanço no corpo. Decidiu-se. - Ia dimenticando de dizer. O meu filho fará o gerente da sociedade... Sob a minha direção, si capisce. - Sei, sei... O seu filho? - Si. O Adriano. O doutor... mi pare... mi pare que conhece ele? Percebemos no excerto acima que a narrativa segue numa linguagem livre, próxima da coloquial. As características “italianizantes” são notadas no diálogo; assim como na expressão ilustrada pelo uso do português numa variedade lingüística “macarrônica”, muito arraigada à gramática italiana, com influência no vocabulário e nas construções. Analisando a música de Adoniran Barbosa e o conto de Alcântara Machado, pudemos perceber que a língua desempenha um papel identitário e de reafirmação social. E que o português “macarrônico” é antes uma ferramenta que o imigrante utiliza para se inserir na história do português brasileiro – forjando uma espécie de italiano “abrasileirado”. Isso, aliás, vem ao encontro da proposta de Eni Orlandi (1996, 131): discutir os fenômenos cotidianos da língua, apontando suas diferenças e variações lingüísticas, já que é na língua que se explicitam as contradições, porque “a língua pertence a todos e é, ao mesmo tempo, o que temos de mais propriamente nosso. Lugar de reações à história e ao social e lugar de singularidade.”
BIBLIOGRAFIA
BAGNO, Marcos. O preconceito lingüístico. São Paulo: Loyola, 2004
ORLANDI, Eni Puccinelli (1996). “O Teatro da Identidade – A Paródia como Traço da Mistura
Lingüística (Italiano/Português)”. In: Interpretação, Autoria, Leitura e Efeitos do Trabalho Simbólico. Petrópolis. RJ: Vozes, pp. 114 – 131.
BORDENAVE, Juan Díaz. O que é comunicação. 27ª reimpressão. São Paulo: Brasiliense, 2002. (Coleção Primeiros Passos)
LANDOWSKI, Eric. Presenças do outro. São Paulo: Perspectiva, 2002.
MACHADO, Antônio de Alcântara. Novelas paulistanas. 3 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1973. p 27
CD EIis Regina no fino da bossa. v. 3, faixa7, 11.V030. V3. CD.
Escrito por Aquinei Timóteo às 20:20:14
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| 07/02/2008 |
Um pré-conto para o conto de Murilo Rubião

O samovar aquecia. O chá destilava um cheiro agradável. Sentados ao redor de uma mesa conversavam Alexandre Saldanha Ribeiro e o velho Dimitri. A proximidade dos dois homens conferia à sala uma estranha atmosfera, falavam à meia voz, como um casal de namorados. A mão de Alexandre caiu subitamente sobre a de Dimitri, os olhos franziam como que alucinados por uma estranha excitação, vez ou outra soltavam risinhos, que gradativamente iam evoluindo até o status das guturais gargalhadas. O chá ficou pronto. Dimitri serviu as duas xícaras. Na igreja antiga os sinos denunciavam o anoitecer. Os repiques vinham em notas suaves bão... bão... bão..., parando e recomeçando – até recolherem-se à total mudez. “Minha filha, Ema, virá passar uns dias comigo”, falou Dimitri com a voz embargada. Alexandre enrubesceu. Sorveu um pouco do chá. Depois recolocou a xícara sobre a mesa. Observou por longo tempo os bordados da toalha, o rosto reclinado, absorto. “O que ela sabe sobre nós dois?”, disse finalmente, ainda com os olhos fixos na toalha. “Nada, absolutamente, nada! Ela supõe que eu ainda seja o mesmo. E, em certo sentido, é bom que as coisas fiquem assim...” “Assim..., como?!”, interrompeu Alexandre. “Assim como está. Eu sou o mesmo de sempre, ela não precisa saber de nada”, finalizou Dimitri, beijando levemente os lábios de Alexandre. Duas semanas depois chegava Ema. Seu cabelo em retrós, o semblante pálido, os gestos comedidos. O toc-toc-toc de seus sapatos sobre o assoalho era a única coisa que denunciava a sua presença. Dimitri foi pegá-la no aeroporto. “Oi, papai!”, gritou Ema, correndo em sua direção. “Oi, querida!”, retrucou o Velho. “Como você está linda!”, exclamou Dimitri em gesto tão efusivo que algumas pessoas voltaram o olhar para ele. “Vamos, vamos meu anjo. Pegue suas malas. A essa hora o trânsito é terrível”, asseverou Dimitri. Ema pegou uma das malas. Dimitri pegou a outra. E saíram do saguão do aeroporto. Naquela noite Alexandre não apareceu. Ema contava mil acontecimentos, a que Dimitri só respondia por monossílabos. “O quê que há papai?!”, indagou Ema. “Estou pensando em alguém”, respondeu o Velho despretensiosamente. “Uma mulher?!”, exclamou Ema dando risinhos. “Sim, sim uma M-U-L-H-E-R!”, respondeu pausadamente. Depois do jantar o Velho hauriu um gole de seu vinho predileto e foi dormir entre os cobertores impregnados do perfume de Alexandre. Tidom... tidom... tidom... A campanha soou. Ema foi atender a porta. Seus longos cabelos loiros não estavam mais presos. Vestia uma blusa transparente, deixando à mostra os bicos vermelhos de seus pequenos seios. “Oi?”, disse, segurando com a mão esquerda a porta. “Ô-ô-ô-ô-láááá...!”, respondeu Alexandre, totalmente mortificado com a tepidez dos olhos de Ema. E ficou longo tempo parado no limiar da porta – às vezes um pequeno evento carrega em si os resmungos da morte.
Escrito por Aquinei Timóteo às 13:40:18
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| 28/01/2008 |
Meu sobrinho, recém-nascido: João Lucas

Escrito por Aquinei Timóteo às 20:26:25
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| 17/01/2008 |
A Flor

Los Hermanos
Composição: Rodrigo Amarante/Marcelo Camelo
Ouvi dizer que o teu olhar ao ver a flor Não sei por que achou ser de um outro rapaz Foi capaz de se entregar Eu fiz de tudo pra ganhar você pra mim Mas mesmo assim... Minha flor serviu pra que você achasse alguém Um outro alguém que me tomou o seu amor E eu fiz de tudo pra você perceber Que era eu... Tua flor me deu alguém pra amar E quanto a mim? Você assim e eu, por final sem meu lugar E eu tive tudo sem saber quem era eu... Eu que nunca amei a ninguém Pude, então, enfim, amar...vai!
Escrito por Aquinei Timóteo às 19:19:18
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| 15/01/2008 |
Os personagens
 A máquina de escrever seguia implacavelmente o seu itinerário. No canto superior da escrivaninha estavam sobrepostos Dostoiévski, Mary Shelley e Franz Kafka. Nihil parava de vez em quando o seu ofício, bebia um gole de vodca, sorvia um trago do cigarro e recostava-se despretensiosamente sobre sua cadeira. Depois recomeçava o texto. O crec-crec da máquina era o único som audível no pequeno cubículo. O escritor parecia está em transe. Os dedos não paravam. Da tez escorria uma gota de suor. Nihil, apesar de jovem, mantinha o hábito antediluviano das máquinas de escrever. Suas histórias eram fracas, inconsistentes; contudo, considerava-se um escritor. O crec-crec continuava. A história ia tomando forma. Subitamente Nihil ouviu uma voz. Andou pelo quarto, foi até a porta e nada! A mesma vozinha renitente começou de novo, só que agora mais forte: “Você é o culpado!”, disse em tom acusador. O escritor levantou-se sobressaltado julgando ser tudo aquilo resultado da bebida. Observou cada recanto do quarto, cada fresta; mas tudo permanecia como sempre estivera: toda a mobília recolhida à sua mudez eterna. Sentou-se de novo. O rosto convulsionado, as mãos frias e trêmulas. “Você é o culpado!” “Quem me acusa? De que sou culpado?”, retrucou Nihil, tentando recuperar o fôlego. “Acuso-te do destino que me coubeste. Da lamúria, da minha dor, da solidão que eu não almejava sentir. Em suma, recai sobre ti o peso da minha vida e agora hás de pagar o quinhão que me deves!” “Pagar... mas quem é você?” “Ora, ora Nihil... sou tua criação!” “O quê?” “Sou o teu personagem!”, disse a voz, com uma nota de sarcasmo. O escritor deixou cair uma barulhenta gargalhada. Depois se calou. Ficou longo tempo olhando para a folha em branco. “Meu personagem?”, indagou Nihil. “Sim!” “O que você quer de mim?” “Quero que você sofra!” “Mas isso é ilógico! Sou criador e você criatura. Você só existe porque eu te criei”, sentenciou o escritor. “Você tem certeza disso?”, alfinetou o personagem. “Sim, tenho!”, respondeu Nihil. “Está vendo aquela janela com vitrais?” “Sim, estou.” “Tente abri-la.” “Mas isso é ridículo!”, retrucou o escritor. “Abra-a!”, insistiu o personagem. Nihil levantou-se. Olhou para a janela. Nunca lhe ocorrera antes que uma coisa tão simples quanto abrir uma fechadura fosse soar tão aterrador. Ficou longo tempo refletindo sobre a singularidade da questão. “O que poderia haver além daquela janela comum, senão o mundo lá fora?”, pensou. O escritor segurou o ferrolho. Lentamente foi destrancando a janela. Quando a abriu por completo nada viu, a não ser uma tenebrosa escuridão. “Rá! Rá! Rá! Rá!”, o personagem não conteve o riso. “O que significa isso?”, indagou Nihil. “Significa que você também é um personagem... Rá! Rá! Rá! Rá...!” “Não, não pode ser! Eu tenho uma vida...” “Claro que você tem uma vida! A vida que alguém imaginou para você!”
Escrito por Aquinei Timóteo às 18:30:57
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| 04/01/2008 |
“Aquinei Timóteo”
Tenho cada vez menos convicções. A bem da verdade, acho que nunca as tive. Antigamente estudar me causava algum alívio, porque ao menos eu brincava de ter certezas. E agora..., agora voltou aquela velha tristeza. Sinto-me vazio. Falta algo, mas o quê? Antes eu procurava respostas, agora me contento só com o fazer as perguntas... não me importo mais. Sabe, queria abandonar tudo e ir embora, à surdina, assim como um sonho que se tem e que se dilui antes do amanhecer. Contudo sempre há os OUTROS: os irmãos, os sobrinhos, a mãe..., pessoas que invariavelmente sentirão a tua falta... e você chora pelo absurda que a “TAL” idéia lhe causa, mas o que fazer? Você se sente deslocado no mundo, como se enxergasse o globo terrestre sob a perspectiva dos olhos de Franz Kafka. Os amigos são bons, mas são apenas para os dias de riso. Nenhum deles está disposto a velar pelas tuas lágrimas, a chorar contigo, a entender as nuances convulsionadas do teu queixume. Sou despreparado para a vida e sinto que nunca estarei pronto, não porque não a entenda; mas sim, porque sei que já nasci morto!

Escrito por Aquinei Timóteo às 19:54:37
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| 19/12/2007 |
Um dia...

Vinícius de Moraes
Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos...
Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre...
Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nos e-mails trocados...
Podemos nos telefonar... conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo...
Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!!! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos reuniremos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos...
Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores... mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!!!
Escrito por Aquinei Timóteo às 19:56:16
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Amigos...

Paulo Sant'Ana
Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
Escrito por Aquinei Timóteo às 19:27:11
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| 17/12/2007 |
Tráiler de 'Las 13 rosas'
http://www.elpais.com/videos/cultura/Trailer/rosas/elpvid/20071019elpepucul_3/Ves/
Classificação: 
'Las 13 rosas' cuenta la historia de trece muchachas, casi todas menores de edad, que fueron fusiladas el 5 de agosto de 1939 en las tapias del cementerio de la Almudena de Madrid.
Categoria: Link
Escrito por Aquinei Timóteo às 18:30:29
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La era de los escritores fantasma
 Obras con firmas de identidades desconocidas toman las librerías en España - 'Wikinovelas' en la Red y nuevos géneros de creación compartida están de moda
JESÚS RUIZ MANTILLA
Víctor Saltero no tiene cara. Ni se la vamos a ver nunca. Pero ha vendido casi 100.000 ejemplares de sus libros Sucedió en el Ave, El amante de la belleza o Desde la ventana.Luther Blissett era un jugador de la Liga italiana que jamás marcó un gol. Pero también es la firma que aparece en la novela Q, elaborada por un colectivo de creadores boloñeses que ahora han cambiado su identidad: se dicen llamar Wu Ming, que en chino significa "sin nombre". Su última novela, Manituana, ha vendido ya en Italia 200.000 ejemplares.
Son dos ejemplos de la nueva crisis de la autoría. Dos experiencias surgidas en estos nuevos tiempos en los que las historias interesan más que las firmas que las crean. Otra de las sacudidas que nos tenía preparadas Internet y que ha prendido con tal fuerza en la Red que habrá que estar atentos hacia dónde nos lleva.
Por lo pronto, muchos autores se han puesto las pilas, sobre todo los más jóvenes, que se han lanzado al pozo de la autoría compartida. Algo que ha dado lugar a un nuevo fenómeno que muchos empiezan a llamar género, la wikinovela. Lo han hecho ya Hernán Casciari, Espido Freire o el más experimentado Juan José Millás. Son historias creadas en construcción con gente en la Red. Un autor lanza un argumento y el resto lo completa.
Aunque Millás tiene sus dudas. "Me he vuelto a tropezar con alguna novela en la que he participado por Internet. No tengo mucha confianza en ellas porque la importancia de toda obra es lo que no se ve, el sistema nervioso, lo que le da un sentido y está por debajo. En estas cosas se compite por ver quién es el más ingenioso y no resultan eficaces", comenta Millás. "Puede salir bien si lo coge alguien al final que afianza el punto de vista, el orden", añade.
Pero las autorías compartidas no son nuevas. "Ya se han hecho en papel y han sido un desastre. Aunque se me ocurren otras autorías compartidas en la historia que son obras maestras. En la televisión, Los Soprano o en la Edad Media, los que construían catedrales, pero precisamente les salía bien porque atendían a lo interno más que a lo externo", dice Millás. De todas formas, y con sus reservas, avisa: "Habrá que estar atentos al fenómeno".
Pero la Red y la publicidad más agresiva se convierten en cómplices de misterios por desvelar en cuanto a las autorías. Sin duda, alentados por legendarios nombres de la literatura universal que también se esconden. Como B. Traven, el anarquista alemán que acabó en México escribiendo El tesoro de Sierra Madre o El barco de la muerte, a quien nunca se vio en público; como J. D. Salinger o Thomas Pynchon, aún hoy a resguardo de los focos bajo una aureola de culto. También los hay que se desdoblan en dos firmas, como William Irish, también conocido como Cornell Woolrich, algo que ahora practican John Banville, que es Benjamin Black para sus novelas negras, o Gore Vidal, que firma Edgar Box también para sus piezas policiacas.
Quizás es lo que busque Víctor Saltero, que se lanzó paradójicamente a la fama con un thriller, titulado Sucedió en el Ave, apoyado por una más que espectacular campaña publicitaria y que adopta el nombre de uno de sus personajes. José Sánchez Cervera, editor de Imser Siglo, sigue el juego de su identidad camuflada: "Tenemos ocho novelas suyas que iremos sacando. Es un autor estupendo para nosotros, muy diferente", dice. ¿Se le puede entrevistar? "No, lo siento, ya nos gustaría que hiciera promoción, nos vendría mucho mejor y evitaría problemas, pero no nos lo permite, incluso consta en su contrato. No podemos desvelar su identidad". Poco más se le puede sacar. Que es empresario, que no tiene problemas de dinero, que escribía por afición, que vive retirado de casi todo... Un misterio.
No es el único. En la última gran inundación del mercado con historias trepidantes, de pura evasión, sin grandes deseos de notoriedad por parte de quienes las elaboran, los editores y los agentes convencen incluso a los escritores para que se cambien el nombre por otros que tengan, a poder ser, resonancia anglosajona. Resulta mucho más fácil introducirles en el mercado internacional si a un escritor llamado Jesús Bodas se le cambia el nombre por Andrea Weddings, por ejemplo. Quién sabe cuántos ejemplos parecidos habrá desperdigados por ahí; y al revés, como hace el español Juan Eslava Galán, que en el extranjero firma como Nicholas Wilcox.
Existen otras experiencias más agresivas, que incluso van acompañadas de una filosofía, una nueva manera de reivindicar diferentes formas de creación con nuevas luchas como la del copyleft, es decir, lo contrario a los derechos de autor tal y como se conciben hoy. La bandera del derecho compartido la alzan colectivos como el antiguo Luther Blissett, hoy Wu Ming.
Claudio López Lamadrid, editor de Random House Mondadori, sacó al mercado Q, su primera novela. "Son un grupo muy activo en Internet que no quieren aparecer en fotografías pero que cuidan muchísimo lo que hacen. Cuidan las traducciones de manera obsesiva, por ejemplo", afirma el editor.
Los integrantes que hicieron Q se definieron como "terroristas intelectuales". Entre otras cosas, con esta novela, ambientada en el siglo XVI, perseguían conectar a sus lectores con la historia de dos hombres encerrados en una habitación sin que ninguno de los dos supiera quién era el otro. De Luther Blissett, cambiaron a Wu Ming. Con éxito. Bajo esa firma han publicado 54 y Manituana.
Son cinco: Roberto Bui, Giovanni Cattabriga, Lucca Di Meo, Federico Guglielmi y Riccardo Pedrini. "Escriben también por separado con sus propios seudónimos numerados: Wu Ming 1, 2, 3, 4 y 5. Aunque cuando son más eficaces es con sus historias en grupo, tienen mucha más gracia así", afirma López Lamadrid.
Pero su objetivo va más allá de la propia creación. Pretenden replantear en el siglo XXI la figura del autor y del narrador. Para ese fin han creado una lista de derechos y deberes, entre los que cabe destacar algunos. Entre los deberes: "El narrador tiene el deber de no creerse superior a los demás". "El narrador tiene el deber de no confundir la fabulación, su misión principal, con un exceso de autobiografismo obsesivo y de ostentación narcisista". Entre los derechos: "El narrador tiene derecho a no aparecer en los medios de comunicación". "El narrador tiene derecho a no fingirse experto en ninguna materia". "El narrador tiene derecho a oponerse con la desobediencia civil a las pretensiones de quien (editores incluidos) quiera privarle de sus derechos".
Wu Ming o el fenómeno de las wikinovelas representan tendencias con gancho. Interesan y dejan en evidencia lo que, según Javier Celaya, uno de los impulsores de Dosdoce, una revista cultural de la Red con mucho prestigio entre los editores y círculos del arte por sus informes sobre la utilización de la Red en la creación, cree que es una crisis de la autoría. "Las personas que se mueven por Internet en ámbitos de creación literaria ya no están obsesionadas con la firma propia. Comparten su autoría, les interesan las historias, el resto les da igual", asegura Celaya.
Estas formas de trabajar, además, crecerán. "Todavía no me atrevo a llamar a esto género, quizá falta tiempo para que sea considerado como tal, pero es una tendencia que crece y que no sabemos dónde acabará, ni qué horizontes nos va a abrir". Varios autores parecen preparados ante los nuevos retos de la Red. Los editores, no tanto, según Celaya. "Hay ejemplos aislados, iniciativas que empiezan a cuajar, van mejorando su relación con este mundo, pero hasta hace muy poco han sido completamente ajenos a ella. Deberían aprender de lo que en el campo discográfico ha supuesto la aparición de Internet, porque empiezan a tener los mismos problemas que tuvieron los editores de música hace años", avisa.
De hecho, podrían tomar nota de algunas iniciativas como las Keitai bunko, de Japón. Novelas que circulan por teléfono móvil. Un soporte inagotable. Una mina desde la que cualquiera puede sentir ya la llamada de una historia.
Fonte:(http://www.elpais.com/articulo/cultura/era/escritores/fantasma/elpepucul/20071217elpepicul_1/Tes), visitado no dia 17 de dezembro de 2007.
Escrito por Aquinei Timóteo às 18:18:01
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| 13/12/2007 |
Criança caminha por memorial dedicado às vítimas do massacre de Nanjing pelas tropas japonesas, em Jiangsu (China)

Escrito por Aquinei Timóteo às 18:16:20
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